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O que há em sua estante? Jon Ingold sobre 80 Dias, Heavens Vault e A Highland Song

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A Semana de Livros: uma conversa animada sobre as leituras amadas

Saudações, caro leitor e amante dos livros! É com alegria que voltamos ao nosso espaço semanal, onde trocamos ideias com pessoas fascinantes da indústria literária sobre as obras que marcaram suas vidas. E adivinha? Depois de apenas três semanas, já estamos citando nosso querido Gene Wolfe novamente! Seja bem-vindo, Gene. Sua presença é quase palpável!

O que Jon Ingold está lendo atualmente?

Esta semana, temos a honra de conversar com Jon Ingold da Inkle! Então, que tal dar uma espiada no seu acervo literário? Podemos começar pelo que ele está lendo agora, certo?

"Eu tenho um hábito terrível de começar mais livros do que consigo terminar, então atualmente estou no meio de cerca de oito obras. A que está mais próxima de ser finalizada é ‘Uma Arma à Venda’, do Graham Greene. Eu adoro a escrita do Greene – ela é concisa, feroz e divertida. Porém, às vezes parece que ele escreve sobre a primeira coisa que vem à cabeça pela manhã, e ‘Uma Arma à Venda’ me passa essa impressão. A história é envolvente, narrada sob a perspectiva de um assassino que mal consegue ser atraente e que acaba de cometer um assassinato político, quase um anti-Bond. É claro que a corda vai apertar ao seu redor com uma certeza implacável, e no final, ficarei devastado, enquanto Greene segue adiante, sem se importar. Que danado!"

Livros deixados para depois

"Menos provável de ser terminado? ‘Dançarinos no Fim do Tempo’, de Michael Moorcock. Estou sempre tentando lê-lo porque curto o sci-fi excêntrico dos anos 70, mas parece que ele não se importa muito com o que escreve. São só palavras seguindo outras palavras, sem um propósito claro. Mas eu continuo tentando!"

Última leitura concluída

"Meu último livro lido foi ‘O Último Assassinato no Fim do Mundo’, de Stuart Turton. Eu percebi que os livros costumam ser lentos e memoráveis ou rápidos e esquecíveis, e este se encaixou na última categoria, mas tive um tempo agradável com ele. É provavelmente a história de assassinato pós-apocalíptica mais alegre que já li: o número de mortes é colossal, mas a narrativa se passa em uma ensolarada ilha grega; a atmosfera é majoritariamente tranquila."

"Além disso, reli ‘Nas Selvas Verdes’, um livro de Gene Wolfe que faz parte de uma trilogia (O Livro do Sol Curto), que por sua vez vem de uma quadrilogia (O Livro do Sol Longo). Afinal, é difícil recomendar esse livro isoladamente, mas é extraordinário. A escrita de Wolfe é incomparável, sua trama é sutil e extremamente inteligente, e sua abordagem política oscila entre o afiado e o compassivo, além de estranhamente bizarra. ‘Verde’ é magnífico, sempre entretendo diversas narrativas ao mesmo tempo, e isso dá um propósito aos seus escritos. No geral, suas obras nunca tornam sua natureza escrita invisível, e isso as torna infinitamente mais ricas. São lentas e memoráveis."

Próxima leitura na fila

"Na minha mesa está ‘A Ferrovia da Necrópole’, de Jim Stringer, que trata de uma linha do metrô de Londres usada para transportar cadáveres, ambientada em 1903. Eu morei em Londres por alguns anos, e o subterrâneo sempre me fazia pensar em Caronte, o barqueiro. Espero que o livro capture a atmosfera sepulcral de um trem passando sob a cidade. Ao lado está ‘Orbital’, o favorito de todos, que é poético, mas não me cativou quando li o primeiro capítulo."

Citações sinceras que ficam na mente

"É difícil escolher uma! Provavelmente o final de ‘O Rei que foi e Voltará’, de T.H. White, um livro inusitado e antiquado que reconta a lenda do Rei Arthur, desde suas aventuras na juventude até a formação da Tabela Redonda, culminando em suas desventuras. Na véspera da batalha final, Arthur reflete, em seu acampamento, sobre quando seu professor Merlyn o transformou em um ganso e percebe que se as pessoas pudessem voar, entenderiam que fronteiras não são reais; e se apenas começassem a pensar, em vez de reagir, poderiam parar de lutar. Mas ainda assim, é esperançoso. A Tabela Redonda – que deveria simbolizar a união e o uso da força para o bem – desmoronou sob a ação de alguns que eram manipuladores e ávidos por poder. Embora Arthur saiba que seu destino está selado e o país mergulhará na escuridão, a ideia da Tabela Redonda perdurará, e isso lhe é suficiente. Embora White tenha escrito em 1940, o fascismo é uma erva daninha."

Livros que eu insistiria para amigos lerem

"Isso depende do amigo! Mas se você perguntasse aos meus amigos, eles provavelmente revirariam os olhos e diriam ‘algo do Gene Wolfe’, e não estariam errados. Eu normalmente recomendo ‘Paz’ – a história de um homem que recorda e narra sua vida, mas em algumas partes altera o que aconteceu, e talvez ele já esteja morto. Há um personagem que se transforma em pedra e ninguém sabe se o narrador na verdade assassinou várias pessoas. É tudo incerto, e ele definitivamente não vai te contar. É fantástico: um pouco como o que Paul Auster faria, só que com uma pitada mais fantástica."

Livros que deveriam virar jogos?

"O ‘O Grande Sono’. Jogos de detetive estão em alta agora, mas o detetive de Raymond Chandler é algo especial – ele é nobre, honroso e constantemente capturado, desmaiado, drogado, perdido, embriagado e espancado. Ele é mais parecido com Indiana Jones do que com Sherlock Holmes. Ele se move pela cidade seguindo pistas de forma bem solta, mas sempre mantém um ar sombrio. Eu gostaria de ver algo em preto e branco, com narrações arrastadas, onde você perde todas as brigas. Nunca vi ninguém conseguir fazer isso corretamente."

"Ou, quem sabe, ‘Dom Quixote’, que é genuinamente hilário. Imagine um jogo parecido com Elden Ring, mas onde você é um velho vestindo um recipiente de carvão como armadura e carregando um cabo de vassoura como lança, lutando contra moinhos de vento e árvores engraçadas. E ninguém que você resgata realmente deseja ser salvo!"

FAQ

  1. Qual é o foco deste post?

    • Este post é uma conversa semanal sobre livros que amamos e queremos compartilhar com os outros.
  2. Quem é Jon Ingold?

    • Jon Ingold é da Inkle, uma empresa conhecida por suas histórias interativas, e nesta conversa, ele compartilha suas leituras e opiniões literárias.
  3. Qual foi a última leitura recomendada?

    • A última leitura mencionada foi ‘O Último Assassinato no Fim do Mundo’, uma narrativa de assassinato em um cenário pós-apocalíptico.
  4. Quais livros foram citados como recomendações?

    • Entre os livros mencionados estão ‘Paz’, de Gene Wolfe, e ‘O Grande Sono’, de Raymond Chandler.
  5. O que caracteriza a escrita de Gene Wolfe?
    • A escrita de Wolfe é considerada única, com camadas complexas de storytelling e uma prosa que nunca deixa sua natureza escrita invisível.